Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo: um passo importante para a segurança rural

Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo: um passo importante para a segurança rural

Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo: um passo importante para a segurança rural

Em 2024, o Brasil registrou a maior área queimada dos últimos cinco anos: mais de 30 milhões de hectares, grande parte em propriedades rurais e áreas de preservação no Cerrado e Amazônia (MapBiomas). Nesse contexto, a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF) ganha urgência. O debate promovido pela CNA e pelo Senar no 2º Sinafogo evidencia que o agronegócio passa a tratar o tema como prioridade estratégica, focando não só na questão ambiental, mas também na produtividade e segurança jurídica.

Sancionada em 2024, a PNMIF estabelece diretrizes para o uso controlado do fogo em práticas agrícolas, promovendo técnicas de manejo planejado em vez de queimadas descontroladas. Para o produtor, isso resulta em menor risco de incêndios acidentais, redução de multas e maior previsibilidade operacional. A mesa-redonda da CNA e Senar discutiu a implementação da lei, com foco em capacitação, assistência técnica e integração entre órgãos ambientais e produtores.

Em estados como Mato Grosso e Tocantins, o fogo é ferramenta comum para limpeza de pastagens e renovação de canaviais. Contudo, sem planejamento, torna-se passivo ambiental e econômico. A PNMIF, se bem aplicada, pode significar a transição entre o risco e a gestão profissional do fogo no agronegócio brasileiro.

Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo: um passo importante para a segurança rural

O que a PNMIF muda na rotina do produtor rural

A PNMIF não proíbe o uso do fogo, mas o regula. Na prática, o produtor que precisar queimar áreas de pastagem ou restos de colheita deverá seguir um plano de manejo aprovado pelo órgão ambiental estadual, com cronograma, condições climáticas favoráveis e medidas de contenção. Isso exige capacitação técnica e acesso a informações meteorológicas em tempo real, algo que o Senar já disponibiliza em cursos e materiais didáticos.

Outro ponto central debatido foi a responsabilidade compartilhada. Muitos incêndios rurais iniciam em propriedades vizinhas ou áreas de conservação, alastrando-se sem controle. A PNMIF cria mecanismos de cooperação entre vizinhos e órgãos públicos, como brigadas comunitárias e sistemas de alerta precoce. Para o produtor, isso reduz o risco de perdas em pastagens, lavouras e benfeitorias, gerando ganho direto de produtividade.

Dados do Corpo de Bombeiros de Goiás mostram que 70% dos incêndios rurais no estado têm origem em queimadas mal planejadas. Com a PNMIF, a expectativa é reduzir esse número, desde que haja adesão e fiscalização efetiva. A liderança da CNA e do Senar nesse debate sinaliza o desejo do agronegócio brasileiro de assumir o protagonismo na gestão do fogo, superando a postura defensiva ambiental.

Por que isso importa para quem vive do campo no Brasil

Para o produtor, a PNMIF não é só uma lei a cumprir, mas uma decisão de negócio. Propriedades com manejo integrado do fogo reduzem em até 40% os custos de recuperação de pastagens degradadas (Embrapa). Evitam multas de até R$ 50 mil por hectare queimado irregularmente, além de danos à imagem e dificuldades no acesso a crédito rural em áreas com histórico de incêndios.

Casos práticos demonstram resultados. No oeste baiano, propriedades com manejo de fogo que inclui aceiros planejados e queimas controladas em épocas de menor risco registraram queda de 60% na incidência de incêndios acidentais em três safras. O produtor que investe em capacitação e equipamentos básicos (abafadores, bombas costais, monitoramento por satélite) garante segurança e previsibilidade.

A conectividade rural também foi destacada como essencial para o sucesso da política. Sem dados meteorológicos atualizados e alertas de risco, o produtor não consegue planejar a queima com segurança. O Senar, em parceria com startups de AgTech, já testa aplicativos que integram previsão do tempo, mapas de vegetação e orientações técnicas em tempo real. A tecnologia, neste contexto, apoia a conformidade ambiental.

A corrida pela gestão profissional do fogo está apenas começando

A PNMIF representa uma mudança que vai além da legislação, impulsionando o agronegócio a profissionalizar uma prática historicamente informal. Os próximos meses serão decisivos para a regulamentação estadual e a criação de linhas de financiamento que apoiem a adequação de pequenos e médios produtores. O Senar já anunciou a expansão dos cursos de manejo do fogo para todas as regiões, focando em biomas como Pantanal e Amazônia.

Em jogo não está apenas a preservação ambiental, mas a competitividade do agronegócio brasileiro em mercados internacionais que exigem rastreabilidade e boas práticas. A União Europeia, por exemplo, já condiciona a importação de carne e grãos à comprovação de produção dissociada de desmatamento ou queimadas ilegais. Quem adotar o manejo integrado do fogo antecipadamente terá vantagem comercial clara.

A implementação da PNMIF é um teste de maturidade para o setor. Se o agronegócio brasileiro transformar essa política pública em vantagem competitiva, o fogo deixará de ser um passivo para se tornar ferramenta de gestão profissional. O Sinafogo mostrou que o caminho foi pavimentado; a execução no campo é o próximo passo.