Abimaq aponta custo de capital como prioridade para o próximo presidente

Abimaq aponta custo de capital como prioridade para o próximo presidente

Abimaq aponta custo de capital como prioridade para o próximo presidente

O custo do dinheiro no Brasil emergiu como ponto central na discussão sobre a competitividade do agronegócio. Diante de juros elevados e incertezas fiscais, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) definiu o custo de capital como a principal demanda para o futuro governo. A mensagem é clara: a ausência de equilíbrio fiscal impede investimentos em tecnologia, renovação de maquinários e ampliação da escala de produção no campo.

Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, estabeleceu uma ligação direta entre a política econômica e a realidade rural. “Se você tiver equilíbrio fiscal, você tem custo de capital menor”, declarou. Essa afirmação reflete um diagnóstico preciso de um setor que depende crucialmente de financiamento a longo prazo para sua modernização e para a adoção de tecnologias de agricultura de precisão.

Essa demanda surge em um momento crucial para o produtor rural brasileiro, que se depara com decisões sobre investimentos em novas colheitadeiras, drones de monitoramento ou sistemas de irrigação inteligentes. Cada variação na taxa de juros impacta diretamente o retorno desses investimentos e, por consequência, a velocidade com que a inovação chega ao campo.

Abimaq aponta custo de capital como prioridade para o próximo presidente

O papel do custo de capital na modernização agrícola

A conexão entre as taxas de juros e a adoção de tecnologias no agronegócio é profunda. Equipamentos modernos, sensores de solo e softwares de gestão rural são, em sua maioria, adquiridos mediante financiamento, muitas vezes com prazos superiores a cinco anos. Taxas de juros elevadas elevam o custo total dessas aquisições, podendo inviabilizar economicamente o investimento.

Dados do setor indicam uma forte correlação entre o crédito e a venda de máquinas agrícolas. Em períodos de condições de financiamento favoráveis, como as oferecidas pelo Plano Safra, a renovação de frotas se intensificou. Inversamente, o aumento do custo de capital levou à queda nas vendas e ao envelhecimento dos equipamentos em operação, impactando negativamente a eficiência e a sustentabilidade.

A posição da Abimaq transcende um interesse setorial; representa uma defesa da competitividade global do agronegócio brasileiro. O equilíbrio fiscal contribui para a redução do risco-país, consequentemente diminuindo os juros futuros e permitindo que os produtores planejem suas safras com maior previsibilidade. Sem essa estabilidade, o Brasil corre o risco de perder terreno para concorrentes como Estados Unidos e Argentina, que dispõem de linhas de crédito mais acessíveis para seus agricultores.

Impactos para o produtor que busca investir em tecnologia

Para o agricultor brasileiro, as diretrizes da Abimaq possuem implicações práticas imediatas. Aqueles que consideram a aquisição de uma pulverizadora autônoma ou a implementação de um sistema de irrigação de precisão devem analisar não apenas o preço do equipamento, mas também o cenário macroeconômico dos próximos anos. Uma política fiscal que promova a estabilização da dívida pública tenderá a resultar em uma queda gradual dos juros, tornando o financiamento mais vantajoso nos anos subsequentes.

Por outro lado, adiar decisões de investimento na expectativa de condições ideais pode significar a perda de oportunidades de aumento de produtividade. O equilíbrio entre o momento oportuno e o planejamento estratégico é essencial. Produtores com maior liquidez podem aproveitar períodos de queda nos juros para modernizar suas frotas. Já aqueles que dependem estritamente de financiamento devem monitorar atentamente as sinalizações do Banco Central e do Ministério da Fazenda.

Um efeito indireto relevante a ser considerado é a taxa de câmbio. Um ambiente fiscal mais previsível pode atrair capital estrangeiro, fortalecendo o real e reduzindo o custo de equipamentos importados. Essa questão é de suma importância, visto que grande parte da tecnologia presente em máquinas agrícolas, como sensores e sistemas de GPS, ainda é proveniente de fornecedores internacionais.

A busca por competitividade no agro brasileiro continua

A discussão sobre o custo de capital não se limita a um único mandato presidencial, configurando-se como uma agenda estrutural. A Abimaq acerta ao priorizar o equilíbrio fiscal, contudo, o próximo presidente precisará converter essa demanda em políticas concretas. Exemplos incluem a expansão do Plano Safra com taxas de juros diferenciadas para tecnologias de baixo carbono e a simplificação dos processos de crédito rural.

O agronegócio brasileiro tem demonstrado sua resiliência e capacidade de inovação. No entanto, a próxima etapa de ganhos de produtividade, que abrange agricultura regenerativa, automação e conectividade integral nas propriedades, depende de um ambiente econômico que fomente o investimento a longo prazo. O custo de capital é o elo entre a intenção de modernização e sua concretização em campo.

Nas próximas semanas, o mercado estará atento aos primeiros passos do novo governo em relação à política fiscal. Cada indicação de responsabilidade fiscal terá reflexos na curva de juros e, consequentemente, nas decisões de investimento dos produtores rurais. A mensagem da Abimaq serve como um lembrete de que, no agronegócio, a macroeconomia possui uma importância equivalente à da meteorologia.