Sistema OCB propõe crédito e tecnologia para impulsionar o campo
O cooperativismo brasileiro, responsável por mais da metade do PIB agropecuário nacional, apresentou uma pauta concreta para o próximo ciclo de governo: expandir o acesso a crédito e acelerar a adoção de tecnologia no campo. A iniciativa foi liderada por Tania Zanella, presidente do Sistema OCB, que destacou a inclusão produtiva, o seguro rural e o acesso a mercados como prioridades para fortalecer pequenos e médios produtores. Essa proposta surge em um momento crítico para a agricultura brasileira, que enfrenta a dupla pressão por aumento de produtividade e a crescente demanda por práticas sustentáveis.
A declaração do Sistema OCB não é meramente política; é um diagnóstico preciso dos entraves que dificultam a modernização do agronegócio nacional. Enquanto grandes propriedades já utilizam agricultura de precisão, sensores de solo e drones para monitoramento, a base do cooperativismo – composta majoritariamente por pequenos e médios produtores – ainda se depara com o alto custo do capital e a carência de infraestrutura digital. A mensagem do Sistema OCB é inequívoca: a falta de crédito acessível e de tecnologia integrada representa um risco para o Brasil, podendo perpetuar um agronegócio com níveis de desenvolvimento desiguais.

Diagnóstico do Sistema OCB sobre os entraves à modernização rural
A análise do Sistema OCB baseia-se em um fato fundamental: o cooperativismo é o principal elo de comercialização e suporte técnico para uma parcela significativa dos produtores brasileiros. Ao defender a ampliação do crédito, Tania Zanella não pleiteia apenas um aumento de recursos, mas sim linhas de financiamento que se alinhem à realidade de quem necessita investir em tecnologia sem comprometer a saúde financeira da safra. Atualmente, o custo de um conjunto de sensores ou de um drone para pulverização permanece proibitivo para a maioria das pequenas propriedades, mesmo com benefícios comprovados na redução do uso de insumos e no aumento da produtividade.
O seguro rural assume um papel central nessa conjuntura. A ausência de proteção contra eventos climáticos adversos leva produtores de menor escala a evitarem riscos, e a tecnologia, sob essa perspectiva, é vista como um risco adicional. O Sistema OCB acerta ao vincular esses dois aspectos: crédito para adquirir as ferramentas tecnológicas e seguro para garantir a segurança na sua implementação. Essa abordagem posiciona a inovação como uma política de Estado, e não como uma tendência passageira do mercado.
Ademais, a questão da eficiência operacional não pode ser negligenciada. Cooperativas que já implementaram softwares de gestão rural e a conectividade no campo reportam incrementos de até 20% em sua eficiência operacional. Contudo, esse progresso ainda se concentra em regiões com infraestrutura mais desenvolvida, como o Sul e o Sudeste. A proposta do Sistema OCB, se concretizada, pode funcionar como um motor de desconcentração tecnológica, desde que o crédito oferecido contemple não apenas a aquisição de equipamentos, mas também o financiamento de capacitação e conectividade.
O que a proposta do Sistema OCB significa para o produtor cooperado
Para o pequeno e médio produtor, a proposta do Sistema OCB representa a oportunidade de romper o ciclo de defasagem tecnológica. Na prática, um acesso ampliado ao crédito pode viabilizar desde a compra de drones para monitoramento de lavouras até a instalação de sistemas de irrigação inteligente. O impacto mais significativo, porém, advirá da combinação com o acesso facilitado a mercados. Cooperativas mais avançadas tecnologicamente conseguem garantir a rastreabilidade da produção, certificar a origem dos produtos e negociar preços mais vantajosos – demandas crescentes do mercado consumidor.
Produtores que hoje dependem de cooperativas para comercializar suas safras devem observar uma dupla dinâmica nos próximos anos. Primeiramente, a própria estrutura cooperativa exercerá pressão por modernização, visando a coleta de dados essenciais para competir com grandes grupos empresariais. Em segundo lugar, o crédito direcionado poderá diminuir o custo de adoção de tecnologias antes restritas a grandes propriedades. Para produtores de soja, milho ou leite em escala média, isso pode significar a diferença entre operar com margens apertadas ou com uma folga confortável.
É importante ressaltar um ponto crucial: a tecnologia torna-se ineficaz sem conectividade. O Sistema OCB deve exigir do próximo governo não apenas a criação de linhas de crédito, mas também investimentos significativos em infraestrutura digital no campo. Sem acesso à internet de qualidade, sensores e drones correm o risco de se tornarem equipamentos subutilizados. A proposta é sólida, mas o sucesso de sua implementação dependerá de detalhes executivos bem definidos.
A modernização do agronegócio brasileiro em curso
A iniciativa do Sistema OCB demonstra a ambição do cooperativismo em desempenhar um papel de liderança na próxima fase de modernização do agronegócio brasileiro. Existem razões para crer que essa agenda ganhará impulso. O mercado internacional valoriza cada vez mais a produção rastreável e sustentável, e a tecnologia é a via mais rápida para comprovar esses atributos. O Brasil, já reconhecido por sua produtividade em diversas culturas, tem agora a chance de se destacar também pela eficiência tecnológica disseminada.
Nos próximos anos, o debate sobre crédito rural será inevitavelmente reavaliado sob uma nova perspectiva: o grau em que cada linha de financiamento contribui para a digitalização do campo. O Sistema OCB já apresentou sua visão. Resta saber se o futuro governo compartilhará desse planejamento estratégico e se os produtores brasileiros, independentemente de sua escala, conseguirão participar dessa evolução sem serem deixados para trás.
